Vinicius
Sassine
Nove funcionários da Delta Construções, dos quais três executivos, estão
na lista da Polícia Federal de pessoas ligadas ao bicheiro
Executivos do alto escalão da Delta Construções estão na lista de
pessoas ligadas diretamente ao bicheiro Carlinhos Cachoeira. A relação foi
elaborada pela Polícia Federal no âmbito da Operação Monte Carlo e, das 102
pessoas citadas, nove integravam o quadro de pessoal da construtora no momento
da investigação.
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A PF considerou como contatos de Cachoeira — a partir da análise do
conteúdo das conversas telefônicas — Carlos Roberto Pacheco, vice-presidente da
Delta até ontem; Heraldo Puccini Neto, diretor da regional Sul e de São Paulo;
e Cláudio Dias de Abreu, ex-diretor da empreiteira na Região Centro-Oeste. A
relação traz ainda mais seis funcionários da Delta, que mantinham contatos
frequentes com Cachoeira. O Correio mostrou no último dia 12 que a mesma lista
relacionou 26 políticos, entre eles o governador de Goiás, Marconi Perillo
(PSDB), o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) e o deputado federal
Leonardo Vilela (PSDB-GO).
O vice-presidente da Delta deixou o cargo ontem em meio ao escândalo envolvendo a empreiteira, o presidente e proprietário da empresa, Fernando Cavendish (leia mais na página 5). Já Heraldo e Cláudio foram alvo ontem da Operação Saint-Michel, deflagrada pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) como desdobramento da Operação Monte Carlo.
Os diálogos telefônicos usados nas investigações mostram a proximidade
de Pacheco, Heraldo e Cláudio a Cachoeira. O ex-diretor do Centro-Oeste,
inclusive, é sócio do bicheiro em pelo menos dois empreendimentos: a Ideal
Segurança, usada para lavar dinheiro do jogo, segundo a PF, e a compra da
Fazenda Gama, no Distrito Federal, objeto de tentativa de grilagem a partir da
corrupção de servidores de diferentes órgãos no DF, conforme o inquérito da
Monte Carlo. Em conversas em agosto do ano passado, Gleyb Ferreira da Cruz — um
dos principais assessores do grupo criminoso — fala com Cláudio sobre um
projeto de instalação de "casas pré-fabricadas". Eles discutem a
presença de Pacheco e Heraldo em reunião com um grupo de coreanos, responsável
pela proposta.
Dinheiro
Um diálogo entre Cláudio e Cachoeira serve para discutir "liberação
de verbas da Delta". "Eu programei com o Pacheco aqui. Os outros, em
euro", diz Cláudio ao bicheiro. "Eu sei que até dia 31 o Pacheco vai
me mandar 2 milhões brutos", completa. O ex-diretor do Centro-Oeste
manteve conversas com Cachoeira enquanto esteve reunido com o vice-presidente
da Delta. O bicheiro menciona mais uma cifra: "Um ponto cinco".
"Eu falei com o chefe aqui, viu, amigo? Ele falou que era para você
guardar esse dinheiro para aplicar no Entorno. O projeto vai exigir uns 4
milhões e meio", responde Cláudio.
Outro funcionário da Delta relacionado pela PF é André Teixeira Jorge, o
Deca, descrito como "faz-tudo de Carlinhos e funcionário da Delta em Goiânia".
Por atuar como laranja do bicheiro e intermediar pagamentos a agentes públicos,
André foi denunciado pelo MPF na Operação Monte Carlo.
"Eu falei com o chefe aqui, viu, amigo? Ele falou que era para você
guardar esse dinheiro para aplicar no Entorno. O projeto vai exigir uns 4
milhões e meio"
Cláudio Dias
de Abreu, ex-diretor da Delta, em diálogo gravado pela Polícia Federal com
Carlinhos Cachoeira
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